Na Suécia, trabalhadores ganham licença para abrir seu próprio negócio

Por: ScandinavianWay – 13/02/2019

Nos últimos 20 anos, os trabalhadores suecos têm desfrutado de um privilégio incomum: o direito de tirar seis meses de folga e iniciar seu próprio negócio. Batizada, literalmente, de “Direito de Sair e Criar um Negócio”, a lei faz parte de uma série mais ampla de direitos concedidos aos trabalhadores para fazerem coisas fora de seus empregos, como estudar ou cuidar de um membro da família.

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Photo: Melker Dahlstrand/imagebank.sweden.se

Segundo mostra a BBC, que cita dados da Statistiska Centralbyrån, a agência de estatísticas do país, em 2017, 175 mil trabalhadores com idades entre 25 e 54 anos solicitaram algum tipo de licença (incluindo a de criação de um novo negócio), ou 12 mil a mais que os de dez anos antes. O registro de novas empresas, por sua vez, subiu de 27,9 mil para 48,5 mil no mesmo período.

A licença para criar um novo negócio é um dos instrumentos que ajudam a construir a reputação da Suécia como um dos países mais inovadores do mundo. Esse direito também integra o cenário que fez de Estocolmo a capital europeia das startups – a cidade só fica atrás do Vale do Silício, na Califórnia, em número de unicórnios (empresas de tecnologia avaliadas em pelo US$ 1 bilhão) per capita.

“Até onde sei, a Suécia é o único país que oferece um direito legalmente consagrado de tirar uma licença para o empreendedorismo”, disse à BBC Claire Ingram Bogusz, que pesquisa empreendedorismo e sistemas de informação na Stockholm School of Economics.

Um dos casos de sucesso entre as startups suecas é o serviço de streaming de música, podcast e vídeo Spotify. Criada em 2006, a empresa estreou na Bolsa de Nova York no ano passado e tem valor de mercado de US$ 24,5 bilhões. Outros incluem o Skype, comprado pela Microsoft em 2011 por US$ 8,5 bilhões, e a Mojang, a empresa por trás do jogo eletrônico Minecraft, também adquirida pela Microsoft, em 2014, por US$ 2,5 bilhões.

Qualquer pessoa que esteja no emprego de modo integral há pelo menos seis meses tem direito a candidatar-se ao período sabático não-remunerado, ou “tjänstledighet“, como é chamado na Suécia. Os empregadores só podem vetar o pedido se o funcionário for vital para as operações da empresa. Além disso, sua ideia de um novo negócio não pode competir com o de seu empregador atual nem causar qualquer inconveniente significativo, segundo registra o blog do Fórum Econômico Mundial.

Há uma tendência crescente em muitos países para que as pessoas desenvolvam um empreendimento fora do horário normal de trabalho e dediquem seu tempo livre para tentar esse novo caminho. É um raciocínio parecido com o que define a “gig economy”, também conhecida como “economia compartilhada” ou “economia freelancer”: tempo livre, capacidade ociosa e os recursos sobressalentes são todos ativos esperando para serem monetizados.

Entre os suecos, o estímulo à monetização (e à inovação) é também imposto por lei.

 

https://scandinavianway.com.br/noticias/post/121/na-suecia-trabalhadores-ganham-licenca-para-abrir-seu-proprio-negocio

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