Teoria da Causação Circular de Myrdal

Por: Nilton Marques Oliveira e Udo Strassburg

Myrdal (1968) usa esse conceito para falar de um ciclo virtuoso ou vicioso, que
tanto pode ocorrer de forma ascendente quanto descendente, ou seja, uma sequência de fatos que desencadeia outros fatos de forma cumulativa e propulsora. Ele utiliza esse
conceito tanto no campo econômico, quanto no campo social.

No primeiro campo, com relação às expectativas de preços para cima e para
baixo, um polo de desenvolvimento econômico pode se expandir cumulativamente em
detrimento de outros.

O segundo campo trata da questão dos negros nos Estados Unidos, associando
variáveis econômicas e não-econômicas, num contexto vicioso em que o negro, se
tiver baixo nível de desempenho, terá baixos salários, muitos não terão emprego, níveis
de educação e saúde precários, acentuando a discriminação e a pobreza (MYRDAL,
1944). Continuar lendo

O Pensamento de Gunnar Myrdal Sobre o Bem-Estar Social

Por: Nilton Marques Oliveira e Udo Strassburg

Gunnar Myrdal nasceu na Suécia, com formação em Direito e doutorado em
Economia em 1927, pela Universidade de Estocolmo, onde assumiu a cadeira de
economia política da mesma Universidade em 1933. No início de sua carreira, Myrdal
dedicou-se a questões teóricas no campo da economia e somente mais tarde se envolveu
diretamente com problemas sociais, principalmente relacionados aos países
subdesenvolvidos.

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Afinal o que é o Estado de Bem-Estar Social?

Por: Antonio Gasparetto Junior – InfoEscolas

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Estado de Bem-Estar Social  é um modo de organização no qual o Estado se encarrega da promoção social e da economia.

Ao longo dos séculos, as escolas de pensamento econômico retiraram a participação do Estado da organização da economia, concedendo grande espaço e influência ao que se designou como Liberalismo. Este tipo de orientação ideológica que prevê maior liberdade para o mercado, sem a regulamentação do Estado, vigorou no século XIX, mas entrou em profunda crise no início do século XX. A Primeira Guerra Mundial, entre outras coisas, foi resultado da intensa disputa por mercados travada pelos países europeus. Encerrando um período de grande desenvolvimento. Pior ainda para a economia seria a Crise de 1929, decorrente da superprodução que o mercado foi incapaz de absorver. Até então, estava em pauta a retirada do Estado da regulamentação econômica, mas a solução da crise foi justamente a retomada do Estado. Defensores do Liberalismo acreditavam que a intervenção do Estado na economia e o investimento em políticas sociais eram, na verdade, gastos maléficos para a economia. No entanto, essas duas medidas reativaram a economia. Continuar lendo

A industrialização da Finlândia

Por: Paulo Gala e Felipe Augusto – 27/06/2019

Como a Finlândia, pequena, rural, periférica e de renda média-baixa, tornou-se potência industrial e gerou uma empresa de alta tecnologia como a Nokia? Incrivelmente, o fator mais determinante parece ter sido a necessidade de PAGAR reparações de Guerra à URSS! De acordo com o Tratado de Paz, a Finlândia deveria pagar reparações de Guerra à URSS na forma de bens, e não em dinheiro. O exemplo da Alemanha pós-Tratado de Versalhes, cujas indenizações ajudaram a causar a hiperinflação e a escalada autoritária subsequente, foi determinante.

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Alva e Gunnar Myrdal

Por: Socialdemokratiske Tænkere – Tradução: Vitor Luís Nunes de Almeida12-Myrdal-signeret

Alva e Gunnar Myrdal podem razoavelmente ser considerados os mais proeminentes chamados “engenheiros sociais” da Suécia entre guerras. Foram suas ideias que formaram a base de grande parte da política social e econômica que caracterizaram a Suécia de 1932 e das décadas seguintes. É óbvio considerá-los juntos, como um casal ideológico além de casados.

A base política de ambos era criar uma sociedade sem infortúnios desnecessários, onde a razão racional governasse e como o capitalismo frequentemente enfrentava a irracionalidade, a ganância e o interesse próprio, o planejamento e a socialização tornaram-se elementos importantes em seu pensamento político. Continuar lendo

O que torna a Escandinávia diferente?

Por:  Rune Møller Stahl e Andreas Møller Mulvad – Jacobin Magazine – 08/04/2015 – Tradução de Gabriel Landi Fazzio

O que explica o forte estado de bem-estar social dos países nórdicos? Dica: não é sua homogeneidade branca.

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Comício de massas em Oslo antes das eleições gerais de 1936. Partido Trabalhista Norueguês / Flickr

Há uma razão pela qual os estados de bem-estar social escandinavos seguem sendo motivo de inveja de muitos ao redor do mundo. Mesmo após décadas de tentativas de reformá-los pelo projeto neoliberal, a Escandinávia exibe uma divisão igualitária de rendimentos relativamente elevados, grandes programas de bem-estar social financiados por impostos, sindicados poderosos e taxas de desempregos relativamente baixas. Continuar lendo

Olof Palme e a trajetória do estado de bem-estar na Suécia

Por: Kjell Östberg – Jacobin Magazine – 9/10/2015 – Tradução de Gabriel Landi Fazzio

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David Frost entrevista Olof Palme em 1969

“A carreira de Olof Palme ilustra o grande sucesso do modelo sueco – e sua fraqueza paralisante.”

Fevereiro marcará trinta anos desde que o Primeiro Ministro sueco Olof Palme foi morto a tiros no centro do Estocolmo. A identidade de seu assassino segue desconhecida.

A Suécia durante o tempo de Palme é muitas vezes vista como o maior exemplo da socialdemocracia: altos padrões de vida e uma relativamente baixa desigualdade de remuneração; baixo desemprego e um avançado sistema de bem-estar social financiado em imposto progressivos e pensões, auxílios-doença, licença maternidade e paternidade remuneradas e creches universalizadas das quais se gabar. Continuar lendo

E se o “egoísmo humano” for um mito interesseiro?

Por: George Monbiot –  Tradução: Inês Castilho – Outras Palavras – 14/10/2015

Novas pesquisas sugerem: nossa espécie é majoritariamente colaborativa, altruísta e solidária. Ideia da ganância coletiva pode ser projeção ideológica dos que concentram poder e capital

Imagem: Marcos Alves

Imagem: Marcos Alves

Você se debate contra os sinais de indiferença e egoísmo humanos? Sente-se oprimido pela sensação de que se preocupa com o mundo, ao contrário de muitos outros? Julga que a indiferença de pessoas iguais a você está esvaziando o que resta da civilização e da vida na Terra? Se assim é, você não está sozinho. Mas também não está certo. Continuar lendo

Estado vs. Mercados: uma falsa dicotomia

Por: Mariana Mazzucato e Caetano C.R. Penna – Brasil Debate – Revista Política Social e Desenvolvimento

Os países mais bem-sucedidos têm um ecossistema simbiótico de inovação e de produção, em que agentes públicos e privados se beneficiam e lucram de ações e interações mútuas. Nestes casos, a iniciativa privada não “captura” o Estado, nem o Estado se torna uma ferramenta para favores políticos

Estado-vs-mercado

O debate sobre os papéis relativos do Estado e do mercado em economias capitalistas tende a oscilar ao longo do tempo nas mentes e nos corações da opinião pública e dos decisores de políticas públicas: os períodos em que o Estado é defendido por seu papel no desenvolvimento econômico são sempre substituídos por um ataque à sua intervenção no “bom funcionamento” de mercados.

Foi assim ao longo do século 20 (ver REINERT, 2009, para uma análise de como as oscilações deste pêndulo estão ligadas a mudanças na agenda de investigação predominante da economia). E é isso o que aconteceu desde a mais recente crise financeira global e da recessão econômica: um breve período logo após a sua erupção, quando era quase um consenso que o Estado tinha um papel fundamental a desempenhar na promoção do desenvolvimento e do crescimento por meio da política industrial, foi rapidamente apreendido por aqueles que diziam o contrário. A austeridade tornou-se o prato do dia, enquanto as políticas industriais ativas transformaram-se no modismo da última estação. Continuar lendo

A Teoria de Valor e o afastamento entre produção e consumo

Por: Victor Moura – Instituto Myrdal

Um pai pergunta a seu filho “você sabe de onde vem o leite?”. Prontamente o garoto
responde “da geladeira”. Essa anedota nos diverte por refletir o ingênuo desconhecimento de uma criança sobre os processos de produção do leite. Estranhamente essa realidade não se aplica somente à crianças. Você provavelmente se lembra da última vez que esteve em um estabelecimento e comprou uma commoditie.  Ao sair da loja, provavelmente teve uma série de outras preocupações, exceto algo tão básico como: “de onde vem isso?”. Mas você sabe de onde veio o leite. Da vaca! Mas, a esta altura você já deve ter notado que está alienado de diversas etapas da cadeia de produção desse leite. Ele de fato sai da vaca, por ordenhadeiras mecanicas, depois vai a caminhões de transporte, para ser levado à usina onde se faz a pasteurização, e, novamente, ao transporte que o leva até a prateleira de supermercado. Não se dar conta de todo esse processo não é culpa sua. A questão é que a esfera do consumo (onde você compra o leite) conta com a sua alienação em relação as outras esferas do capitalismo. Isso porque essa alienação garante que lhe passe desapercebido o Valor do trabalho embutido no produto. Pois se há uma coisa em comum durante todo esse processo, essa coisa é o trabalho humano em cada etapa de produção. A cadeia de produção é longa, interdependente e coletiva. Perceber isso é entender o que é o valor-trabalho. Continuar lendo