A Teoria de Valor e o afastamento entre produção e consumo

Por: Victor Moura – Instituto Myrdal

Um pai pergunta a seu filho “você sabe de onde vem o leite?”. Prontamente o garoto
responde “da geladeira”. Essa anedota nos diverte por refletir o ingênuo desconhecimento de uma criança sobre os processos de produção do leite. Estranhamente essa realidade não se aplica somente à crianças. Você provavelmente se lembra da última vez que esteve em um estabelecimento e comprou uma commoditie.  Ao sair da loja, provavelmente teve uma série de outras preocupações, exceto algo tão básico como: “de onde vem isso?”. Mas você sabe de onde veio o leite. Da vaca! Mas, a esta altura você já deve ter notado que está alienado de diversas etapas da cadeia de produção desse leite. Ele de fato sai da vaca, por ordenhadeiras mecanicas, depois vai a caminhões de transporte, para ser levado à usina onde se faz a pasteurização, e, novamente, ao transporte que o leva até a prateleira de supermercado. Não se dar conta de todo esse processo não é culpa sua. A questão é que a esfera do consumo (onde você compra o leite) conta com a sua alienação em relação as outras esferas do capitalismo. Isso porque essa alienação garante que lhe passe desapercebido o Valor do trabalho embutido no produto. Pois se há uma coisa em comum durante todo esse processo, essa coisa é o trabalho humano em cada etapa de produção. A cadeia de produção é longa, interdependente e coletiva. Perceber isso é entender o que é o valor-trabalho. Continuar lendo

Objetivo da atividade econômica e a distorção capitalista

Por: Victor MouraInstituto Myrdal

Em uma entrevista recente, a economista Maria da Conceição Tavares comentou assertivamente: “ninguém come PIB”. Seu comentário, embora simples, pode ser visto como uma pontual denúncia à distorção do objetivo central da economia.

Em uma bela construção imaginativa poderíamos dizer que a economia deveria servir a subsistência do homem, e não a necessidade de mercado. Poderíamos criar um mundo onde a produção fosse feita para atender a necessidade social humana, e não ao acúmulo de alguns. Parece utópico? Pois não deveria. Em sua definição inicial, desde Aristóteles, a economia esteve enraizada a uma básica noção de “gerir e administrar a casa”. É um fato que tivemos em diferentes sociedades e períodos históricos uma produção guiada para servir à necessidade social da subsistência do homem (como fizeram os incas, astecas, chineses, maias, romanos e no medievo). E somente em períodos mais recentes vimos a definição de economia passar por uma transformação ao ser usada para servir aos “ideais de mercado”. Com isso se construiu uma máscara para um discurso de “fins e meios” onde sacrifícios humanos são feitos em prol de uma utopia econômica que serve a si mesma. Continuar lendo