O que torna a Escandinávia diferente?

Por:  Rune Møller Stahl e Andreas Møller Mulvad – Jacobin Magazine – 08/04/2015 – Tradução de Gabriel Landi Fazzio

O que explica o forte estado de bem-estar social dos países nórdicos? Dica: não é sua homogeneidade branca.

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Comício de massas em Oslo antes das eleições gerais de 1936. Partido Trabalhista Norueguês / Flickr

Há uma razão pela qual os estados de bem-estar social escandinavos seguem sendo motivo de inveja de muitos ao redor do mundo. Mesmo após décadas de tentativas de reformá-los pelo projeto neoliberal, a Escandinávia exibe uma divisão igualitária de rendimentos relativamente elevados, grandes programas de bem-estar social financiados por impostos, sindicados poderosos e taxas de desempregos relativamente baixas. Continuar lendo

Olof Palme e a trajetória do estado de bem-estar na Suécia

Por: Kjell Östberg – Jacobin Magazine – 9/10/2015 – Tradução de Gabriel Landi Fazzio

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David Frost entrevista Olof Palme em 1969

“A carreira de Olof Palme ilustra o grande sucesso do modelo sueco – e sua fraqueza paralisante.”

Fevereiro marcará trinta anos desde que o Primeiro Ministro sueco Olof Palme foi morto a tiros no centro do Estocolmo. A identidade de seu assassino segue desconhecida.

A Suécia durante o tempo de Palme é muitas vezes vista como o maior exemplo da socialdemocracia: altos padrões de vida e uma relativamente baixa desigualdade de remuneração; baixo desemprego e um avançado sistema de bem-estar social financiado em imposto progressivos e pensões, auxílios-doença, licença maternidade e paternidade remuneradas e creches universalizadas das quais se gabar. Continuar lendo

Estado vs. Mercados: uma falsa dicotomia

Por: Mariana Mazzucato e Caetano C.R. Penna – Brasil Debate – Revista Política Social e Desenvolvimento

Os países mais bem-sucedidos têm um ecossistema simbiótico de inovação e de produção, em que agentes públicos e privados se beneficiam e lucram de ações e interações mútuas. Nestes casos, a iniciativa privada não “captura” o Estado, nem o Estado se torna uma ferramenta para favores políticos

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O debate sobre os papéis relativos do Estado e do mercado em economias capitalistas tende a oscilar ao longo do tempo nas mentes e nos corações da opinião pública e dos decisores de políticas públicas: os períodos em que o Estado é defendido por seu papel no desenvolvimento econômico são sempre substituídos por um ataque à sua intervenção no “bom funcionamento” de mercados.

Foi assim ao longo do século 20 (ver REINERT, 2009, para uma análise de como as oscilações deste pêndulo estão ligadas a mudanças na agenda de investigação predominante da economia). E é isso o que aconteceu desde a mais recente crise financeira global e da recessão econômica: um breve período logo após a sua erupção, quando era quase um consenso que o Estado tinha um papel fundamental a desempenhar na promoção do desenvolvimento e do crescimento por meio da política industrial, foi rapidamente apreendido por aqueles que diziam o contrário. A austeridade tornou-se o prato do dia, enquanto as políticas industriais ativas transformaram-se no modismo da última estação. Continuar lendo

Estado mínimo em um país sem o mínimo de Estado

Por: José Antonio Lima – Carta Capital –  02/09/2015 às 01h40

A discussão que importa é a da qualidade dos serviços públicos, mas ela é amplamente ignorada

A reforma administrativa anunciada pelo governo na semana passada, com corte de dez ministérios e mil cargos de confiança, é reflexo de um dos vários debates tolos travados no Brasil. Pressionada por uma crise econômica e política, Dilma Rousseff fez um anúncio para contemplar os críticos que desejam ver o Estado menor, sem tratar da questão mais importante: a qualidade do serviço público. Falta ao anúncio do governo, assim como ao debate público que o ensejou, profundidade.

O corte de ministérios tem um lado positivo. Ele reduzirá marginalmente o reparte aos partidos aliados e pode contribuir para a superação do desgastado presidencialismo de coalizão brasileiro. Descontada essa vantagem, a reforma serve apenas para tentar acalentar quem vê o Brasil abatido por um suposto “inchaço da máquina pública” e advoga a redução do Estado a despeito de vivermos em um país no qual a ausência deste é tão grave quanto sua ineficiência.  Continuar lendo

Finlândia pretende pagar um salário mínimo a todos os seus habitantes

Por: Redação – Pragmatismo Político – 26/08/2015 às 10:17

O que você diria se o presidente de seu país anunciasse que a partir de hoje cada cidadão – trabalhando ou não – receberá um salário mínimo? Entenda por que essa medida pode se tornar, em breve, uma realidade na Finlândia.

Finlândia: Com o desemprego em 10%, alguns analistas avaliam que jovens poderão perder a motivação a procurar emprego. O primeiro ministro, Juha Sipila, diz que a medida simplificará o sistema de seguridade social do país

Finlândia: Com o desemprego em 10%, alguns analistas avaliam que jovens poderão perder a motivação a procurar emprego. O primeiro ministro, Juha Sipila, diz que a medida simplificará o sistema de seguridade social do país.

O que você diria se o presidente de seu país anunciasse que a partir de hoje cada cidadão – trabalhando ou não – receberá uma renda básica?

Isso parece um sonho, mas pode se tornar realidade em breve na Finlândia, onde o governo avalia implementar em curto prazo um projeto piloto que estabeleceria o pagamento de um salário básico a seus habitantes, independentemente da situação de trabalho. Continuar lendo

“Se alguém não paga os impostos, é um insulto para todos”

Por:  (texto) e (fotografia) Público – 23/08/2015 – de Portugal

Karina Kim Elgaard, investigadora de direito fiscal na Universidade de Copenhaga, diz que sociedade dinamarquesa é pouco tolerante para com quem tenta contornar as regras.

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O que é que faz com que a Dinamarca seja vista como um país de “contribuintes felizes”?

Karina Kim Elgaard: Muitos contribuintes não verificam as declarações fiscais porque confiam na administração tributária e na informação automática. Embora sendo um sistema complexo, é compreendido pelos contribuintes. É um círculo virtuoso. É um sistema fiscal onde é fácil as pessoas perceberem para onde vai o dinheiro dos impostos. As pessoas pensam: “Pagamos taxas muito altas e muitos impostos, mas, directa ou indirectamente, temos todos estes benefícios: hospitais grátis, apoios sociais, boas escolas”. O sistema social funciona bem. É claro que encontramos pessoas que consideram que há quem “abuse” do Estado social, mas são situações muito pontuais. Continuar lendo

Na Suécia, saúde significa bem-estar social

Por: Lúcio Antônio Prado Dias – Infonet – 07/08/2010 às 08:21

Todo sueco tem o direito de ser tratado de acordo com a ciência atual e a experiência comprovada.

Partindo dos trabalhos do economista e sociólogo Gunnar Myrdal, um sueco que em 1974 ganhou o Prêmio Nobel de Ciência Econômica e que, na década de 30 promoveu a estruturação do modelo de saúde naquele país europeu, adotado inclusive por outros países nórdicos, o homem foi colocado no centro das atenções gerais, onde todo indivíduo tem direito, de forma igualitária, do rei ao capelão, a um conjunto de bens e serviços cujo fornecimento é garantido, direta ou indiretamente, pelo estado, como uma educação plena em todos os níveis, a garantia de uma renda mínima (não simplesmente a um salário mínimo), aposentadoria integral, auxilio desemprego, recursos adicionais para a criação de filhos e assistência médica e odontológica, onde o lema é ‘Todo sueco tem o direito de ser tratado de acordo com a ciência atual e a experiência comprovada”. Arrepiante, não? Continuar lendo

Suécia é o melhor país para se envelhecer; Brasil ocupa 31ª posição

Por: Veja – 02/10/2013 às 20:52

Estudo respaldado pelas Nações Unidas indicou que suecos, noruegueses e alemães são os mais bem preparados para lidar com desafios da velhice

Um estudo idealizado pelo Índice Global de Vigilância Etária, e respaldado pela ONU, indicou que a Suécia é o melhor país para se envelhecer. Os resultados divulgados nesta semana apontam que os suecos, seguidos de noruegueses e alemães, são os mais amparados para lidar com os desafios de uma população em processo de envelhecimento. O Brasil ficou com a 31ª posição, atrás dos vizinhos Chile (19º) e Uruguai (23º). O Afeganistão ficou na última colocação. Continuar lendo

O obituário de Myrdal

Por: Marcelo MiterhofFolha de S.Paulo – 20/02/2014

“O Nobel Gunnar Myrdal é um herói da esquerda que anda esquecido; recordá-lo é um bálsamo.”

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Uma das coisas que mais gosto de ler na Folha é a seção de obituários. Eles, paradoxalmente, proporcionam alívio no meio dos conflitos que ocupam o espaço primordial de um jornal. Em geral, tratam de pessoas pouco conhecidas, mas que deixaram uma marca: o cozinheiro querido de uma família paulistana, o jovem professor de caratê que não suportou a perda da mãe, uma senhora de Mococa, que morreu no dia em que voltou da realização do sonho de conhecer Paris etc. Continuar lendo