O que torna a Escandinávia diferente?

Por:  Rune Møller Stahl e Andreas Møller Mulvad – Jacobin Magazine – 08/04/2015 – Tradução de Gabriel Landi Fazzio

O que explica o forte estado de bem-estar social dos países nórdicos? Dica: não é sua homogeneidade branca.

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Comício de massas em Oslo antes das eleições gerais de 1936. Partido Trabalhista Norueguês / Flickr

Há uma razão pela qual os estados de bem-estar social escandinavos seguem sendo motivo de inveja de muitos ao redor do mundo. Mesmo após décadas de tentativas de reformá-los pelo projeto neoliberal, a Escandinávia exibe uma divisão igualitária de rendimentos relativamente elevados, grandes programas de bem-estar social financiados por impostos, sindicados poderosos e taxas de desempregos relativamente baixas. Continuar lendo

E se o “egoísmo humano” for um mito interesseiro?

Por: George Monbiot –  Tradução: Inês Castilho – Outras Palavras – 14/10/2015

Novas pesquisas sugerem: nossa espécie é majoritariamente colaborativa, altruísta e solidária. Ideia da ganância coletiva pode ser projeção ideológica dos que concentram poder e capital

Imagem: Marcos Alves

Imagem: Marcos Alves

Você se debate contra os sinais de indiferença e egoísmo humanos? Sente-se oprimido pela sensação de que se preocupa com o mundo, ao contrário de muitos outros? Julga que a indiferença de pessoas iguais a você está esvaziando o que resta da civilização e da vida na Terra? Se assim é, você não está sozinho. Mas também não está certo. Continuar lendo

A Teoria de Valor e o afastamento entre produção e consumo

Por: Victor Moura – Instituto Myrdal

Um pai pergunta a seu filho “você sabe de onde vem o leite?”. Prontamente o garoto
responde “da geladeira”. Essa anedota nos diverte por refletir o ingênuo desconhecimento de uma criança sobre os processos de produção do leite. Estranhamente essa realidade não se aplica somente à crianças. Você provavelmente se lembra da última vez que esteve em um estabelecimento e comprou uma commoditie.  Ao sair da loja, provavelmente teve uma série de outras preocupações, exceto algo tão básico como: “de onde vem isso?”. Mas você sabe de onde veio o leite. Da vaca! Mas, a esta altura você já deve ter notado que está alienado de diversas etapas da cadeia de produção desse leite. Ele de fato sai da vaca, por ordenhadeiras mecanicas, depois vai a caminhões de transporte, para ser levado à usina onde se faz a pasteurização, e, novamente, ao transporte que o leva até a prateleira de supermercado. Não se dar conta de todo esse processo não é culpa sua. A questão é que a esfera do consumo (onde você compra o leite) conta com a sua alienação em relação as outras esferas do capitalismo. Isso porque essa alienação garante que lhe passe desapercebido o Valor do trabalho embutido no produto. Pois se há uma coisa em comum durante todo esse processo, essa coisa é o trabalho humano em cada etapa de produção. A cadeia de produção é longa, interdependente e coletiva. Perceber isso é entender o que é o valor-trabalho. Continuar lendo

Por que o sistema de educação da Finlândia é tão reverenciado

Por: Paulo Nogueira – Diário do Centro do Mundo – 05/04/2014

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Saiu há pouco tempo um levantamento sobre educação no mundo feito pela editora britânica que publica a revista Economist, a Pearson.

É um comparativo no qual foram incluídos países com dados confiáveis suficientes para que se pudesse fazer o estudo.

Você pode adivinhar em que lugar o Brasil ficou. Seria rebaixado, caso fosse um campeonato de futebol. Disputou a última colocação com o México e a Indonésia.

Surpresa? Dificilmente. Continuar lendo

“Se alguém não paga os impostos, é um insulto para todos”

Por:  (texto) e (fotografia) Público – 23/08/2015 – de Portugal

Karina Kim Elgaard, investigadora de direito fiscal na Universidade de Copenhaga, diz que sociedade dinamarquesa é pouco tolerante para com quem tenta contornar as regras.

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O que é que faz com que a Dinamarca seja vista como um país de “contribuintes felizes”?

Karina Kim Elgaard: Muitos contribuintes não verificam as declarações fiscais porque confiam na administração tributária e na informação automática. Embora sendo um sistema complexo, é compreendido pelos contribuintes. É um círculo virtuoso. É um sistema fiscal onde é fácil as pessoas perceberem para onde vai o dinheiro dos impostos. As pessoas pensam: “Pagamos taxas muito altas e muitos impostos, mas, directa ou indirectamente, temos todos estes benefícios: hospitais grátis, apoios sociais, boas escolas”. O sistema social funciona bem. É claro que encontramos pessoas que consideram que há quem “abuse” do Estado social, mas são situações muito pontuais. Continuar lendo

Na Suécia, saúde significa bem-estar social

Por: Lúcio Antônio Prado Dias – Infonet – 07/08/2010 às 08:21

Todo sueco tem o direito de ser tratado de acordo com a ciência atual e a experiência comprovada.

Partindo dos trabalhos do economista e sociólogo Gunnar Myrdal, um sueco que em 1974 ganhou o Prêmio Nobel de Ciência Econômica e que, na década de 30 promoveu a estruturação do modelo de saúde naquele país europeu, adotado inclusive por outros países nórdicos, o homem foi colocado no centro das atenções gerais, onde todo indivíduo tem direito, de forma igualitária, do rei ao capelão, a um conjunto de bens e serviços cujo fornecimento é garantido, direta ou indiretamente, pelo estado, como uma educação plena em todos os níveis, a garantia de uma renda mínima (não simplesmente a um salário mínimo), aposentadoria integral, auxilio desemprego, recursos adicionais para a criação de filhos e assistência médica e odontológica, onde o lema é ‘Todo sueco tem o direito de ser tratado de acordo com a ciência atual e a experiência comprovada”. Arrepiante, não? Continuar lendo

Suécia é o melhor país para se envelhecer; Brasil ocupa 31ª posição

Por: Veja – 02/10/2013 às 20:52

Estudo respaldado pelas Nações Unidas indicou que suecos, noruegueses e alemães são os mais bem preparados para lidar com desafios da velhice

Um estudo idealizado pelo Índice Global de Vigilância Etária, e respaldado pela ONU, indicou que a Suécia é o melhor país para se envelhecer. Os resultados divulgados nesta semana apontam que os suecos, seguidos de noruegueses e alemães, são os mais amparados para lidar com os desafios de uma população em processo de envelhecimento. O Brasil ficou com a 31ª posição, atrás dos vizinhos Chile (19º) e Uruguai (23º). O Afeganistão ficou na última colocação. Continuar lendo

Como vive uma faxineira na Suécia

Por: Claudia Wallin – Diário do Centro do Mundo – 03/06/2015

A faxineira Beata e seu BMW 325 conversível

A faxineira Beata e seu BMW 325 conversível

Por Claudia Wallin, de Estocolmo. Claudia é autora de Um país sem excelências e mordomias, no qual retrata a vida pública na Suécia.

A polonesa Beata Romanowicz é a minha ajudante providencial das faxinas quinzenais, mas nem sempre está a postos. Nos finais de semana, ela costuma desaparecer como um Aécio em dia de manifestação pró-impeachment. É quando Beata e o marido, o pedreiro Jacek, saem para passear e pescar no arquipélago sueco a bordo do barco do casal, um confortável Bayliner americano de dez metros de comprimento. Continuar lendo